DIA INTERNACIONAL DA CONSIENTIZAÇÃO DA DOENÇA DE PARKINSON – 11 DE ABRIL
O que é
A Doença de Parkinson (DP) é uma doença degenerativa do sistema nervoso central, crônica e progressiva.. A DP reduz a produção da dopamina, que é um neurotransmissor (substância química que ajuda na transmissão de mensagens entre as células nervosas).
A dopamina ajuda na realização dos movimentos voluntários do corpo de forma automática, ou seja, não precisamos pensar em cada movimento que nossos músculos realizam. Na falta dela, particularmente numa pequena região encefálica chamada substância negra, o controle motor do indivíduo é perdido, ocasionando sinais e sintomas característicos.
Prevalência e Incidência
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2014), cerca de 1% da população mundial acima de 65 anos é portadora da Doença de Parkinson. A prevalência estimada é de 100 a 200 casos por 200 mil habitantes e sua incidência e prevalência aumentam com a idade. No Brasil, estima-se que 200 mil pessoas sofram a doença. Depois do Alzheimer, a DP é a segunda enfermidade mais prevalente no idoso. Se considerarmos o envelhecimento da população brasileira nas próximas décadas, poderemos entender o impacto desta enfermidade, social e econômico, em um futuro não muito distante.
Causas
Com o envelhecimento das pessoas, todos os indivíduos saudáveis apresentam morte progressiva das células nervosas que produzem dopamina. Algumas pessoas, entretanto, perdem essas células (e consequentemente diminuem muito mais seus níveis de dopamina) num ritmo muito ráPido e, assim, acabam por manifestar os sintomas da doença.
Não se sabe exatamente quais as causas que levam a essa perda progressiva e exagerada de células nervosas (degeneração). Existem mais de um fator que possivelmente deve estar envolvido no desencadeamento da doença. Esses fatores podem ser genéticos ou ambientais.
Principais sintomas
OS principais sintomas motores da DP são a lentidão motora (bradicinesia), a rigidez entre as articulações do punho, cotovelo, ombro, coxa e tornozelo, os tremores de repouso percebidos nos membros superiores e geralmente predominantes em um lado do corpo quando comparado com o outro e, finalmente, o desequilíbrio. E existe os sintomas não-motores como depressão, diminuição do olfato, excesso de saliva, alterações intestinais, da pele e do sono.
Alterações da Marcha
Na DP o paciente apresenta lentidão ao andar, os passos ficam bem menores, o corpo inclinado para frente e os braços com menos movimentos. Episódios de congelamento, pois é relatado pelo paciente como uma sensação de “os pés sendo colados ao chão”, quando há uma dificuldade para iniciar e continuar andando. Essas alterações afetam diretamente as atividades de vida diária dos pacientes, oferecendo um grande risco de quedas, uma vez que o paciente ao dar passos pequenos, tendem a perder o equilíbrio com mais frequência. A literatura aponta que em 87% dos pacientes apresentaram queda, 33% chegaram a apresentar algum tipo de fratura e 81% congelamento.
Alterações na voz, fala e deglutição
Na DP as pessoas podem apresentar mudanças na voz e na fala como queixa principal voz fraca ou muito baixa, isso ocorre devido a falta de fechamento correto das pregas vocais durante a fala, possivelmente devido a rigidez muscular e a lentidão dos movimentos presentes na DP. O paciente também pode apresentar uma fala monótona devido a dificuldade em modular os tons graves e agudos, ou seja, as frases são faladas de modo constante, com perda da entonação, melodia ou redução da velocidade de fala, dificultando a capacidade de transmitir as emoções pela voz. Outros pacientes podem acelerar o ritmo da fala de modo a encurtar o tempo de emissão de uma frase e, conseqüentemente, dificultar a sua compreensão. Além disso os pacientes podem apresentar alterações para engolir a comida, pois essa alteração são observadas mais tardiamente, quando comparada aos outros sintomas. É de suma importância, pois trata-se da função responsável pela nutrição, hidratação e do controle da saliva.
Durante a alimentação o paciente pode apresentar uma lentidão e incoordenação dos movimentos de língua, lábios, bochechas, céu da boca, mandíbula que estão envolvidos durante o ato de engolir a comida e líquidos. Além disso, ocorre a diminuição do movimento automático de engolir a saliva, o que pode ocorrer o acúmulo da saliva e até mesmo dos alimentos nos cantos da boca. Quando a saliva não é deglutida, pode acumular-se na garganta (laringe) causando uma sensação desagradável, prejudicando na emissão dos sons da fala e até mesmo penetrar ou aspirar para o pulmão.
Diagnóstico
O diagnóstico da doença de Parkinson é essencialmente clínico, baseado na correta valorização dos sinais e sintomas descritos. O profissional mais habilitado para tal interpretação é o médico neurologista, que é capaz de diferencia esta doença de outras que também afetam involuntariamente os movimentos do corpo. Os exames complementares, como tomografia cerebral, ressonância magnética etc., servem apenas para avaliação de outros diagnósticos diferenciais.
Tratamento
A DP é tratável e geralmente seus sinais e sintomas respondem de forma satisfatória às medicações existentes. Esses medicamentos, entretanto, são sintomáticos, ou seja, eles repõem parcialmente a dopamina que está faltando e, desse modo, melhoram os sintomas da doença. Devem, portanto, ser usados por toda a vida da pessoa que apresenta tal enfermidade, ou até que surjam tratamentos mais eficazes.
Ainda não existem drogas disponíveis comercialmente que possam curar ou evitar de forma efetiva a progressão da degeneração de células nervosas que causam a doença. Há diversos tipos de medicamentos antiparkinsonianos disponíveis, que devem ser usados em combinações adequadas para cada paciente e fase de evolução da doença, garantindo, assim, melhor qualidade de vida e independência do paciente. Também existem técnicas cirúrgicas para atenuar alguns dos sintomas da DP, que devem ser indicadas caso a caso, quando os medicamentos falharem em controlar tais sintomas.
O tratamento da DP deve ser multidisciplinar, aliando medicamentos a outras terapias, como: fisioterapia, fonoaudiologia, suporte psicológico e nutricional, atividade física regular entre outros é melhorar a qualidade de vida do paciente, reduzindo o prejuízo funcional decorrente da doença, permitindo que o paciente tenha uma vida independente, com qualidade, por muitos anos.
Prevenção
Não há como prevenir a DP com os recursos disponíveis atualmente.